O lado do empreendedorismo que os livros não mostram
- Karina Willemann

- 24 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Acredito que você já tenha ouvido frases como "seja seu próprio chefe", "faça seus horários", e afins.
Eu também. E por isso mesmo posso afirmar que mesmo o empreendedorismo ainda sendo o desejo de muitos profissionais, é preciso separar a realidade daquilo que os conteúdos genéricos romantizam. Do contrário, o mercado terá mais sonhadores do que realizadores, e os anos de experiência me mostraram justamente essas verdades.
Trouxe algumas questões que aprendi na prática ao longo dos anos, e que podem surpreender aqueles que ainda vêem o empreendedorismo como um caminho que garante um final feliz. Não é que ele não exista. A questão é que entre o primeiro passo e o sucesso, existe trabalho duro, noites mal dormidas e suor. Mas adivinha? Vale mesmo a pena.
Você não vai comprar uma ilha deserta tão rápido
A ideia de que o dinheiro vem rápido ainda está no imaginário de muitas pessoas, mesmo com tantas pesquisas mostrando o contrário. A verdade é que alguns empreendedores assimilam mais facilmente dizeres como "não tem como dar errado com essa fórmula", do que "vamos fazer um planejamento financeiro realista?". Não é um exagero.
O que pouca gente admite é que esse imaginário tem um custo alto. A ansiedade em enxergar retornos financeiros antes da segunda página pode fazer com que decisões importantes sejam tomadas com base em promessas, e aí, se o resultado não chega no tempo esperado, as consequências chegam ao caixa, afetando a confiança dos stakeholders.
Mesmo se o empreendedorismo trouxer um retorno superior ao dos empregos tradicionais, saiba que esta não é a realidade de todos os empresários. Pelo menos não nos primeiros anos. Dívidas, juros, capex, opex, enfim, parece que todas as necessidades de pagamento se unem no início do empreendimento para testar se os nervos do fundador são de aço. Digo por experiência própria: não são. Mas com disciplina extra, é possível resistir.
A ilha deserta que citei? Ela também representa a solidão de empreender.
Empreender é, em essência, um ato solitário. Podemos ter sócios, parceiros, mentores e até uma equipe engajada, mas a realidade é que o peso de uma decisão recai em uma única pessoa. E nossas escolhas definem se o negócio poderá seguir em frente, se entrará em um hiato, e até a desistência do projeto. Infelizmente, esse bastão não pode ser passado. A solidão, neste caso, chega nas noites em que o fluxo de caixa não bate, nos cálculos refeitos durante a madrugada, também nas reuniões em que precisamos parecer mais confiantes do que somos, mesmo sem ter as respostas esperadas. Essa é a realidade nua e crua do empreendedorismo.
Estamos cercados de aliados? Sim. Mas mesmo com isso, existe um espaço longo entre nós e as outras pessoas, e a razão é simples: um colaborador pode se afastar, o investidor pode desistir, e até o cliente pode procurar a concorrência. Mas o fundador não pode descer do barco. Mesmo quando um negócio é desfeito, somos nós que arcamos com pagamentos, logística, reputação. E quando essa pausa é bem estruturada, a frustração pode permanecer.
Apesar disso…
Tem algo contraditório nisso tudo: empreender exige coragem e expõe vulnerabilidades que nem sempre são mencionadas, mas ao mesmo tempo oferece uma sensação rara de autoria sobre a própria vida. Existem forças em olhar para o que antes eram ideias simples e enxergar um negócio funcionando, gerando resultados. Esse caminho não garante atalhos nem certezas, não se engane. Mas ele abre possibilidades que talvez não seriam encontradas em qualquer outra experiência profissional.
E talvez a maior vantagem de todas seja justamente a consciência de que não existe um limite entre onde termina o desafio e onde começa a oportunidade. O empreendedor vive nesse espaço de fronteiras, aprendendo a cada dia que os obstáculos também são portas abertas para inovar e se reinventar.
Em suma
Empreender nunca foi sinônimo de facilidade. É, sim, sinônimo de escolhas conscientes. E, para mim, caminhar sabendo que cada conquista tem um preço: entender que cada avanço traz novas responsabilidades.


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