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A rachadura que você esconde não é o que você pensa

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Paulo Ricardo Ferreira

CEO SmartStar Energias | Top 100 Influencer RH Brasil | Escritor Profissional | Autor do Best-Seller ‘Como Sobreviver Ao Zoológico Humano’ & +80 Livros | Liderança Humanizada e Inteligência Emocional

Carta para quem chegou até aqui sem saber por quê.

Um executivo me escreveu certa vez pedindo desculpas antes mesmo de contar o problema. "Sei que isso vai parecer fraqueza", começou. O problema, quando finalmente veio, era pequeno: tinha errado um número numa apresentação e passado a semana seguinte convencido de que todo o conselho havia percebido, comentado e concluído algo definitivo sobre sua competência.

Ninguém tinha percebido nada. Ele mesmo confirmou isso depois, ao perguntar diretamente a dois membros do conselho.


Não escrevo essa carta para falar sobre erro. Escrevo para falar sobre o que fazemos com o medo de sermos vistos errando, porque é esse medo, não o erro em si, que costuma custar mais caro.

Reparo esse padrão com frequência incômoda em pessoas competentes: quanto maior a régua interna de perfeição, menor a régua real de tentativa. A pessoa não fica melhor, fica mais parada. Deixa de propor a ideia arriscada, de assumir o projeto incerto, de admitir para a equipe que não sabe algo, porque cada uma dessas ações carrega o risco de expor a rachadura que ela passou anos escondendo.


Aqui está o ponto que costuma mudar a conversa: rachadura não é sinal de fragilidade estrutural. É sinal de que a estrutura já foi usada. Um prédio sem rachadura nenhuma, depois de décadas em pé, não é mais sólido, é suspeito. Ou nunca enfrentou vento de verdade, ou está prestes a ceder de uma vez, sem aviso.


Quem lidera pela infalibilidade projeta segurança e produz, ao mesmo tempo, uma equipe que aprende a esconder tudo aquilo que não está perfeito, porque copia exatamente o comportamento que vê no topo. Quem lidera admitindo a própria ruína, com critério, sem espetáculo, ensina a equipe a trazer o problema cedo, quando ainda cabe correção, em vez de tarde, quando já virou crise.


A pergunta que costumo devolver a quem me procura carregando esse peso é direta: o que você está gastando mais energia em esconder do que em consertar?


Quem responde com honestidade a essa pergunta costuma descobrir a mesma coisa: gastava mais tempo mantendo a fachada do que resolvendo o que estava atrás dela.


Foi para nomear essa troca, entre a fachada e a reconstrução, que escrevi A Glória das Ruínas. Não como confissão pessoal, mas como mapa para quem está cansado de administrar uma imagem em vez de administrar um resultado

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