Prof. Morante
O sabor da política econômica
O artigo analisa os desafios da política econômica brasileira, abordando o equilíbrio das contas públicas, educação, gestão e liderança como fatores essenciais para promover crescimento sustentável e enfrentar os obstáculos do cenário nacional.

FAUZI TIMACO JORGE
O equilíbrio das contas públicas sempre foi um desafio, em qualquer esfera de governo, ou seja, Estados, Municípios e União. No caso da União, o que se tem hoje é um grau de exposição acentuadamente maior do que o observado em épocas passadas, em razão dos compromissos assumidos na área social, aumento das despesas financeiras sobre a dívida interna por conta de aumento da taxa de juros Selic como instrumento de atração do capital volátil estrangeiro, ajuda a empresas prejudicadas pelo tarifaço do governo de Donald Trump, as famigeradas emendas dos congressistas e a verba governamental para o processo eleitoral que se avizinha.
A essencial, indispensável e inevitável mudança de rumo da economia brasileira, nos revela que o problema central nunca foi, de fato, retirado de debaixo do tapete. Parafraseando Dante Alighieri, "o dardo que é antevisto chega mais devagar". Nada como um bom planejamento, muita criatividade e suor para equacionar e solucionar certos problemas.
A relação entre educação e renda foi sobejamente explorada e evidenciada por alguns estudos ao redor do mundo. Daí o esforço quantitativo que precede naturalmente o esforço qualitativo. Para que este último aconteça, é preciso mais do que a abertura de novas escolas e financiamento ao ingressante: é preciso melhoria das condições de trabalho daquele que tem a função de mostrar caminhos, ou seja, do facilitador do processo de aquisição de novas informações. Isso passa, evidentemente, pela própria formação deste profissional, o que vem sendo relegado a quinto plano. Interromper este processo e reverter os rumos é função de toda a sociedade, consciente e mais envolvida.
Junte a tudo isso uma pitada de crise política por conta de disputas de poder, outra por conta de falta de liderança e mais um tiquinho por conta da ineficiência da gestão da res publica [coisa pública] e... Pronto! A salada está aí, com todos os sabores, para todos os gostos!
Quer mais um champignon e uma alcaparra? Amplie alíquotas de tributos sobre a renda, ao invés de base consumo. Crie ou ressuscite contribuições, particularmente aquelas que afetam sobretudo os estratos superiores de renda. Aí, um pouquinho de pimenta não faz mal nenhum!
Ventos contrários sempre existirão na rota traçada. Há que se municiar de velas que proporcionarão o uso destes ventos para a neutralização das forças contrárias. Marinheiros aptos e bem treinados devem atender ao comando daqueles que estão ali, analisando o horizonte, com olhar atento à formação de nuvens. Caminhos já percorridos serão apontados em um mapa e servirão de informação para novas viagens. Aí, sim, la nave... va.