Prof. Morante
Você é um executivo do saibro, da quadra rápida ou da grama?
Utilizando uma analogia com o tênis, o artigo apresenta diferentes perfis de liderança e mostra como a capacidade de adaptação aos cenários e desafios do mercado é essencial para construir resultados sustentáveis.

Paulo Pandjiarjian
Não, isso não é uma enquete sobre qual é a sua superfície preferida para jogar tênis. A pergunta é outra: que tipo de executivo você se tornou dentro do jogo corporativo? A analogia pode parecer esportiva, mas, na verdade, fala sobre liderança, tomada de decisão, construção de resultados e capacidade de adaptação em um mercado que muda cada vez mais rápido.
No tênis, cada superfície favorece um estilo de jogo. Não existe uma melhor do que a outra; existe aquela mais adequada às características do atleta e ao desafio do momento. No mundo corporativo acontece exatamente o mesmo. Empresas, mercados e ciclos econômicos exigem competências diferentes. Saber identificar o contexto pode ser tão importante quanto dominar a própria técnica.
O executivo do saibro acredita na construção consistente. Investe no desenvolvimento das pessoas, fortalece processos, amadurece projetos e entende que resultados sólidos raramente acontecem da noite para o dia. Sua maior virtude é a resiliência: sabe enfrentar longas disputas sem perder o foco, porque enxerga valor na constância e não nos atalhos.
O executivo da quadra rápida transforma velocidade em vantagem competitiva. Analisa cenários com agilidade, toma decisões no momento certo e entende que oportunidades têm prazo de validade. Em mercados altamente competitivos, essa postura pode representar a diferença entre liderar uma transformação ou apenas reagir às mudanças.
Já o executivo da grama prospera em ambientes imprevisíveis. Pequenas variações mudam completamente o jogo, exigindo leitura rápida, flexibilidade e capacidade de adaptação. Ele sabe alterar a estratégia sem perder a direção, transformando incertezas em oportunidades.
A carreira, porém, raramente acontece sobre uma única superfície. Há momentos em que a organização precisa da paciência do saibro. Em outros, exige a velocidade da quadra rápida. E existem períodos de inovação, transformação ou crise em que apenas a adaptabilidade da grama permite manter a competitividade.
Talvez os grandes líderes não sejam aqueles que dominam apenas um estilo, mas os que conseguem reconhecer rapidamente em qual "quadra" estão jogando e ajustar sua forma de atuar sem abrir mão dos princípios, da ética e da visão estratégica.
No fim das contas, o diferencial não está apenas na técnica, mas na capacidade de mudar o jogo quando o piso muda. Afinal, as empresas evoluem, os mercados se transformam e as regras também. Permanecer competitivo depende menos da superfície em que você começou e muito mais da sua disposição para evoluir a cada novo desafio.